“Você sabia que até 5% dos casos de câncer poderiam ser causados por tomografias?” — li essa manchete dias atrás. E, como costuma acontecer, meu primeiro impulso foi respirar fundo. Porque, em saúde, o que parece alarmante quase sempre exige contexto.
Foi então que reli, com atenção, a nota da American Association of Physicists in Medicine (AAPM) contestando esse dado. E, em paralelo, estudei uma análise nacional sobre o uso de algoritmos de reconstrução de imagem (INR) em radiografias de tórax. Juntar essas duas pontas foi inevitável — e, mais do que isso, necessário para entender onde realmente está o risco no uso da radiação médica.
A questão nunca foi só a dose. A questão é a qualidade da decisão.
Muito se fala sobre o perigo da radiação, mas pouco se fala sobre o risco de um diagnóstico impreciso. Poucos consideram que a ausência de uma tomografia feita no momento certo pode custar uma vida. Ou que uma radiografia com ruído excessivo — como tantas que circulam em unidades públicas e privadas — pode atrasar semanas a descoberta de um quadro grave.
Os estudos são claros. O INR, por exemplo, demonstrou reduzir significativamente a dose de radiação em exames de tórax, sem comprometer a qualidade diagnóstica da imagem. Mas o dado mais revelador não foi só a queda na dose, e sim o impacto que isso tem na prática médica: confiança clínica.
Se conseguimos reduzir a dose e manter (ou até melhorar) a qualidade da imagem, então por que ainda temos equipamentos operando em parâmetros ultrapassados, sem testes diários, sem protocolos personalizados, com operadores desatualizados e laudos sendo emitidos em monitores não médicos?
Entre o excesso e a negligência, o que falta é gestão.
O medo da radiação gerado por manchetes sensacionalistas é compreensível. Mas perigoso. Porque ele nos distrai do verdadeiro problema: a falta de padronização, a ausência de controle de qualidade e a má gestão dos serviços de diagnóstico por imagem.
Quando a AAPM rebate o dado dos “5% de câncer”, ela não está negando que a radiação oferece riscos. Ela está dizendo que esse risco não pode ser avaliado de forma genérica e estatística, desconsiderando fatores como dose, frequência, faixa etária, condição clínica e benefícios imediatos.
Ela está dizendo o que nós, da física médica, repetimos há anos: radiação em medicina não é vilã. Vilão é o uso mal feito, sem critério, sem protocolo, sem ciência.
O perigo invisível da dose mal calibrada
Na radiografia, por exemplo, reduzir a dose sem investir em reconstrução ou melhorar o contraste da imagem pode resultar em exames inúteis. Já vi pacientes repetirem duas ou três vezes uma simples radiografia de tórax porque o técnico, na tentativa de minimizar a dose, comprometeu a nitidez da imagem. Resultado? Exposição acumulada, perda de tempo, angústia para o paciente e risco ético para o serviço.
Em contrapartida, centros que adotaram algoritmos como o INR conseguiram uma média de redução de 38% na dose de exames de tórax sem abrir mão da qualidade diagnóstica. Esse é o futuro — uso inteligente da tecnologia para alcançar o equilíbrio entre proteção e precisão.
A pergunta que mais importa: você controla ou só espera que esteja tudo certo?
Um paciente bem diagnosticado não é resultado apenas da competência do médico. Ele é resultado de um ecossistema inteiro funcionando bem: físico médico, operador, protocolo, tecnologia, controle de qualidade, gestão e, claro, decisão clínica.
No entanto, a maior parte das unidades de saúde brasileiras ainda opera com um modelo passivo. Exames são feitos e laudos são emitidos, mas ninguém olha para a base técnica da imagem gerada. Os testes diários de mamografia, por exemplo, são exigência da RDC 611/22. Mas quantos centros os realizam de forma regular e documentada?
A resposta, infelizmente, ainda nos coloca numa posição desconfortável. E é por isso que defendo que o debate sobre radiação precisa evoluir.
A discussão certa não é se a dose causa câncer. É se estamos usando a dose certa no momento certo.
É tempo de sair do binarismo “radiação faz mal” x “radiação salva vidas” e entrar num debate mais maduro: como garantir que cada exame, seja ele uma tomografia ou uma radiografia, esteja no ponto exato entre benefício e risco?
Essa resposta não está nas manchetes. Está nos protocolos bem feitos, nos físicos médicos atuantes, na otimização com tecnologia e no uso de plataformas como o ProtectRad, que automatizam testes e centralizam dados de controle para dar suporte real à segurança do paciente.
Porque não há avanço tecnológico que compense a negligência com a qualidade técnica.
E você? Já avaliou se os exames que saem do seu serviço têm, de fato, a qualidade que você acha que têm?
Por Walmoli Gerber Jr.
Diretor Executivo da BrasilRad
BrasilRad: sua parceira para uma radiologia mais inteligente, segura e eficaz
Na BrasilRad, enxergamos a transformação tecnológica da radiologia como um avanço necessário — e uma oportunidade concreta de elevar a qualidade com responsabilidade.
Por isso, oferecemos soluções completas para quem quer alinhar inovação, conformidade e resultados reais:
Estudo de Viabilidade Econômica
Avalie o custo-benefício da implementação de tecnologias como o deep learning aplicado ao controle de qualidade, com dados claros sobre retorno e impacto clínico.
Análise Técnica de Equipamentos
Descubra se seus sistemas estão prontos para o uso de algoritmos como o INR e receba orientações práticas sobre calibração e otimização de performance.
Laudos Técnicos e Regulatórios em até 10 dias corridos
Blindagem, controle de qualidade, levantamento radiométrico e muito mais – tudo validado por especialistas e pronto para garantir conformidade com a RDC 611 da ANVISA.
ProtectRad: seu painel de controle digital da qualidade radiológica
Um sistema online que reúne seus dados, automatiza alertas, centraliza históricos e monitora doses em tempo real. Menos burocracia, mais gestão estratégica.






